“Surpresa Geológica: o acidente do metrô foi obra da natureza!”

A tão festejada PPP (Parceria Público-Privada) na construção da Linha-4 (Amarela) do Metrô de São Paulo que serviu de base à campanha de Geraldo Alckmin para presidência em 2006 resultou no maior desastre da história do Metrô: uma cratera se abriu na obra de escavação da linha onde será a futura estação Pinheiros da linha Amarela.
Obviamente a imagem do Metrô e do Governo fica ou está ficando mais exposta na mídia do que do próprio consórcio de construtora responsável pela obra. Nesse tipo de contrato, todas as decisões técnicas são da responsabilidade das construtoras envolvidas na execução da obra pois houve uma mudança de gestão de obra do Metrô, onde antigamente a empresa contratava a construtora para execução da obra e o gerente da obra era do Metrô. O gerente de obra do Metrô tinha uma boa noção de gerenciamento de riscos, tinha uma preocupação da interferência da obra em relação à circunvizinhança e bastante experiência profissional de outras obras do Metrô. A segurança da obra e da vizinhança eram prioritárias no desenvolvimento da obra.
Atualmente a gestão da obra é da empreiteira, tipo de contrato preço fechado (turn key), as decisões é da empreiteira, onde o gerente atual está mais preocupado com a execução da obra, pois o enfoque hoje é a produção, prazo de obra, etc. que também deve ter influído no desastre.
O Consórcio Via Amarela, integrado pelas construtoras Odebrecht, OAS, Queiroz Galvão, Camargo Corrêa e Andrade Gutierrez comunica que as causas do acidente ocorrido na obra da futura Estação Pinheiros, estão sendo analisadas por empresas projetistas do mais alto reconhecimento técnico e experiência internacional. As fortes chuvas das últimas semanas que assolaram a capital paulista com grande intensidade e duração levam a indícios de que teriam causado uma reação anômala e inesperada no maciço de terra em que se encontra a obra, provocando o seu repentino colapso e conseqüente desmoronamento.
A Companhia do Metrô recebeu hoje (6 de junho), por volta das 19h30, o relatório do IPT que revela as causas do acidente ocorrido em janeiro de 2007 na Estação Pinheiros da Linha 4 – Amarela, juntamente com o relatório o IPT produziu um vídeo com recursos de computação gráfica que sintetiza o relatório do Instituto. Clique aqui para ver o vídeo.
Confira na íntegra o que foi publicado sobre os laudos apresentados pelo CVA e pelo IPT no portal G1 (globo):
CVA: Laudo encomendado por consórcio culpa rocha por desabamento no Metrô.
IPT: O laudo oficial do IPT concluiu que uma sucessão de erros provocou o mais grave acidente na história do Metrô de São Paulo.
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O resultado do trabalho do IPT está em 29 volumes, de mais de 400 páginas, e um vídeo.
Entre as onze causas apontadas estão:
– o modelo geológico do local não foi levado em consideração;
– o projeto previa a construção em terreno seco, mas a investigação identificou a presença de água;
– o aprofundamento de uma rampa, não prevista no projeto, aumentou a exposição das paredes dos túneis;
– a inversão no sentido da escavação pode ter colaborado para a instabilidade do túnel;
– o comportamento estranho da obra exigia avaliações de estabilidade, e não há documentos que comprovem esta ação;
– a falta de pinos e suportes suficientes nas paredes laterais e no teto da escavação;
– a deficiência na fiscalização dos trabalhos;
– as detonações no dia 12 de janeiro, que produziram vibrações na estutura;
– a inexistência de uma gestão de risco fez com que a possibilidade de desabamento não fosse identificada;
– a falta de um plano de emergência para a retirada de pessoas do local.
N.A: É fato reconhecido internacionalmente entre todos os profissionais de Geotecnia (Engenheiros e Geólogos – sim eles existem!) que os geólogos brasileiros (Petrobrás, CPRM, Docegeo/Vale, Digeo/IPT-SP, Metrô/SP, e outras instituições e universidades) são os maiores conhecedores da geologia do território brasileiro e paulista (principalmente no caso dos dois últimos), portanto os mais capacitados, experientes e competentes para atuar em toda grande obra de construção civil ao lado de engenheiros e outros profissionais, sendo sua presença imprescindível (DECISÃO NORMATIVA Nº 063, DE 05 MAR 1999 – CONFEA). Dessa forma, o Sr. Nick Barton (Especialista inglês em escavações de túneis na Europa, contratado pelo CVA) há de concordar que nós tupiniquins temos conhecimento e tecnologia para ver que, como diria Drummond, "no meio do caminho havia uma pedra", quase aflorante, de 15 mil toneladas, que estranhamente se vaporizou após o acidente – isso sim uma surpresa geológica!
Por fim, Geólogos existem, fazem parte do Confea, ou seja, tem CREA! e são grandes responsáveis pelo progresso e desenvolvimento do nosso imenso Brasil.

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